quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Perfis

Então, já faz um tempão que não posto nada. Quatro meses já!

Durante todo esse tempo, eu graduei como comissário de bordo pela Emirates; fiz novos amigos aqui em Dubai de diferentes partes do mundo e vooei para Viena, Roma, Nagoya, Johanesburgo, Bangladesh, duas vezes para Londres e duas vezes para Perth, sem contar os muitos turnarounds para Índia e para África que já tive. *turnaround é quando a gente voa pra um destino e volta no mesmo dia sem nem sair do avião.


Hoje a noite tenho mais um desses turnarounds. Pra variar, estou indo pra Índia de novo. Pelo menos será um vôo noturno e a maioria dos passageiros estarão dormindo, porém sempre temos aqueles que não dormem e pedem por "whisky, whisky" (mostrando com o polegar pra baixo e o indicador pra cima que querem uma garrafinha da doce bebida) o tempo todo.


Os indianos são pessoas bem pacíficas, que muito raramente causarão algum transtorno no vôo, mas em compensasão não deixam a gente sossegar. Sempre que estão em dúvida, com vergonha ou sem reação, eles balançam a cabeça pra um lado e pra o outro. É algo muito comum entre eles e é sempre motivo de alguma piada entre os comissários de bordo.


Os africanos, em sua maioria, sempre bebem muito e depois de alguns drinks, se esquecem que estão num avião e alteram a voz ao conversar uns com os outros e riem bastante, sem se preocupar com quem está descansando por perto.


Do mesmo jeito que temos diversos tipos de passageiros, temos também diversos tipos de comissários. Sempre há os novinhos, recém-saídos do treinamento, que estão loucos pra aprender e são em sua maioria muito doces e às vezes um pouco lentos no serviço. Temos os frustrados que já estão voando há um tempão e ainda trabalham na classe econômica. Eles sempre sabem muito bem o que fazem, porém algumas vezes encontramos um aqui ou alí que não liga mais com nada. Temos os esnobes da primeira classe e da classe executiva, que na maioria das vezes não trocam nem sequer um sorriso com os comissários da classe econômica e sempre estão reclamando de tudo; seja do passageiro que faz um vôo internacional e não consegue explicar em inglês o que ele quer pra comer, ou da agenda de vôos do mês que receberam (ai, que droga, esse mês tô indo pra Londres de novo) ou de Dubai, do vizinho, do comissário-chefe... Temos aqueles que são eternos cansados, para eles não importa o quanto dormiram antes do vôo, vão sempre estar muito cansados. Temos os preguiçosos, que se enconstam nos outros pra fazer o serviço deles. Temos os tímidos, porém super focados asiáticos. Temos os comissário-chefes que só ficam de olho em você pra no primeiro errinho te ferrarem e fazerem do vôo um inferno. Temos os quatro tipos de comissários seniors: aqueles que só sabem mandar; aqueles que ajudam a colocar a mão na massa; os desorganizados, que nunca deixam nada pronto na galley do avião; e os puxa-saco dos comissários-chefes. E por último, temos os super legais, com quem vamos ter a tendência de manter contato depois do vôo e que, durante o vôo, nos fazem rir e nos sentir bem.


Na maioria das vezes, quando temos um bom pernoite, temos uns comissários mais ou menos, mas quando temos um turnaround, todo mundo é tão legal, que chega doer por não ter a oportunidade de curtir a cidade com eles.


Enfim, meu tempo tá esgotando. Tenho que me arrumar pra ir ganhar meu trocado

sábado, 17 de maio de 2008

Levantou Poeira!




Ivete Sangalo deve ter se inspirado aqui pra fazer aquela música, pois, como aqui é um canteiro de obras, o céu fica todo cheio de poeira. As janelas sempre estão sujas de poeira. Tem um guindaste a cada 10 passos que você dá, de máquinas sendo usadas em construções.


Aqui vão algumas curiosidades de Dubai:


É falta de educação mostrar a sola dos pés. Então, pra mim, que sempre os cruza vai ser barra.

É super comum ver homens nas ruas de mãos dadas, dando beijos na bochecha, fazendo carinhos nas mãos e nas cabeças uns dos outros.

Os lugares de Dubai são aromatizados, geralmente com cheiro de baunilha e incenso.

Os mulçumanos oram 5 vezes por dia, então, cinco vezes por dia a gente escuta através de um tipo auto-falante pela cidade inteira, até mesmo na praia, a voz de um homem falando árabe, parece que ele está cantando, mas acho que está envocando o nome de Alá. Nessa hora, os mulçumanos param tudo que estão fazendo e vão pra mesquita orar.

Às duas da manhà o trânsito ainda está a mil.

Tem tanta coisa, que eu não consigo lembrar.

Hoje eu fiz um bom tour pela cidade. Visitei o famoso hotel 7 estrelas.



Em breve escrevo mais. Tenho que ir andando. Abrção pra todo mundo.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Finalmente... Dubai!

Foram 14 horas e meia de Guarulhos até aqui. Passei, praticamente, toda a quinta-feira no avião. Um ótimo vôo, com muito serviço de entretenimento e boa comida. A Emirates é uma senhora empresa. Me deixou uma boa impressão, assim, de primeira. Fiz amizade com o pessoal que faz o trabalho que eu vou fazer, e eles me disseram um monte de coisa boa, me deram muitas informações e responderam todas as minhas perguntas. Estou super animado pra começar o treinamento e voar logo.
Bem, foi bem estranho chegar num país islâmico, vendo tanta gente de burca, túnicas, abayas... Sexta-feira aqui é como nosso domingo, dia santo aqui pra eles. Sábado funciona igual ao sábado do ocidente e domingo é como segunda-feira, quando a semana começa e tudo está aberto pra compras e tal.
Dubai é um lugar grandioso, quente, e em construção. Têm obras em todo o lugar da cidade. Muita gente de diferentes nacionalidades por aqui. A tv local tem muita pornografia barata, foi engraçado ver isso num país islâmico.
Tenho que sair agora, preciso fazer algumas compras. Fiquem antenados, mostrarei fotos em breve.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Correndo, Correndo

Eu trabalhava no Aeroporto Castro Pinto, daqui de João Pessoa, como agente de aeroporto pela Tam. Passei sete meses lá, acho que cinco deles trabalhando pela madrugada, trocando o dia pela noite. Fiz de tudo um pouco por lá, por ser uma base pequena: Check-in, check-out, despacho, embarque, desembarque, aturar passageiro chato...
Aprendi muito lá e fiz muitos amigos que espero que permaneçam por toda minhas vida.

Em janeiro desse ano, viajei pra São Paulo pra atender o Open Day da Emirates, uma companhia aérea de Dubai. Minha amiga, Lilly, que trabalhava comigo na Tam, foi junto comigo. Durante todo o vôo, me lembro que conversamos bastante sobre como seriam nossas vidas como comissários de bordo, se por acaso fôssemos aceitos. O tempo todo, tentávamos usar a técnica ensinada por Rhonda Byrne, no filme O Segredo, de gerenciar nossos pensamentos e pensar sempre positivamente para obter o que qualquer coisa que quiséssemos na vida.
Chegando lá, vimos tantas pessoas tentando alcançar o mesmo objetivo nosso e ficamos um pouco intimidados, pois eram tantos. Não tínhamos pensado muito no fato de que aquilo não era uma competição, que a Emirates tinha diversas vagas e que pegaria quem estivesse no perfil da empresa. Tudo que tínhamos que fazer era ter auto-confiança, se esforçar pra fazer uma boa redação em inglês sobre um determinado tema e se policiar durante a entrevista pra dar uma boa impressão. Tanto eu quanto ela, tínhamos um bom inglês devido as nossas experiências no exterior, mas mesmo assim, a gente ficava apreensivo. Depois da entrevista, fomos almoçar e voltamos para o Aeroporto de Congonhas pra pegar o próximo vôo de volta a João Pessoa. Lembro-me que Lilly ficou muito mal-humorada (hahahahaha). O cansaço da viagem juntou-se a tensão de todo o processo seletivo daquele dia, e acredito que ela devia estar naqueles dias também, então vocês sabem, né? Faíscas começaram a aparecer quando, por um motivo ou outro, descordávamos de alguma coisa ou às vezes, até mesmo, por motivo nenhum. Tudo voltou ao normal depois. Em duas semanas, eu acho, recebemos a notícia que tínhamos passado para a próxima fase da seleção, o Acessment Day, que seria no final de fevereiro. Dessa vez nos programamos melhor e ela ficou na casa de uma amiga dela e eu na casa de uma amiga minha. Iríamos chegar lá, dormir e às 8:00hs da manhã do dia seguinte estaríamos no hotel onde aconteceria a seleção. Dessa vez, depois da primeira dinâmica de grupo, Lilly não passou e eu passei. Nossa, como foi doloroso vê-la chorando e tão desapontada! A abracei bem forte, disse que a amava e que eles cometeram um grande erro dizendo um não pra ela. Chorando, ela foi embora e eu permaneci, agora pra fazer a prova de inglês. Depois daquele teste, fiquei muito confiante e pensei comigo mesmo: "Esse emprego é meu!". Passei por outra dinâmica de grupo e mais outra, um teste psicológico e outro lá, que eu não lembro o nome, e consegui marcar para o dia seguinte a minha entrevista final. Foi um longo dia. Quando saí daquele hotel ia dar meia noite. No dia seguinte, fui a entrevista final da Emirates e de lá para o Aeroporto de Congonhas. Ao desembarcar em João Pessoa, fui direto pra sala de embarque trabalhar e só dormi ao chegar em casa pela manhã. Preciosas horas de sono numa agenda preenchida pelas aulas na faculdade e pelo trabalho no aeroporto, porém tudo valeu a pena.
Em um certo dia, saí direto do trabalho de manhãzinha e peguei um ônibus em direção à praia da Pipa pra encontrar alguns amigos meus, que já estavam lá hospedados numa pousada e me aguardavam pra curtir o feriado da Semana Santa. No ônibus, recebi uma ligação no meu celular de Dubai. Era uma moça da equipe de recrutamento da Emirates. Nem acreditei, já tinham se passado uns quatro meses e nada deles me contatarem. Ela me congratulou por ter passado na entrevista final e deu uma breve explicação do que aconteceria dalí por diante. Não poderia ter recebido essa notícia em hora melhor, pois foi só mais um motivo pra celebrar com meus amigos. Daí, me enviaram um e-mail com uma lista cheia de exames pra fazer. Eu fiz, os enviei e depois de um mês, recebi o sim definitivo da Emirates, novamente numa semana de feriado. Pedi minha demissão da Tam e fui pra Recife comemorar com os mesmos amigos. Fomos pra balada na quinta, na sexta e no sábado. Voltei pra Jampa no domingo.
Dia 16 de maio estarei de partida pra Dubai definitivamente. Aguardem por notícias.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Introdução

Para me descrever, vou usar a palavra intenso. Eu, simplesmente, não sei viver de uma maneira diferente! Todos os meus sentimentos são vividos ao extremo. Meu riso é alto, minhas carrancas são grandes, meus pensamentos são profundos, minha sinceridade é demasiada, minha força de vontade tem vontade própria (ao ponto de me carregar), meu silêncio é irritante e concentrado, minha desatenção é tamanha, assim como minha atenção. Enfim, só para vocês terem uma noção.

Eu sou um conjunto de paradoxos. E eu não reclamo disso, até gosto. Na verdade, eu amo! Estava até pensando um dia desses como eu costumava ter uma definição na minha mente do que era certo e do que era errado, do bem e do mal, que já são grandes paradoxos entre si. Tinha uma linha tênue traçada na minha cabeça, na qual eu vivia pulando de um lado para o outro ocasionalmente, tendo sempre certeza de que controlava tudo para que no final eu pudesse estar no lado certo. Ainda faço isso, embora de uma maneira mais relaxada e despreocupada do que antes. O bem e o mau existem, isso ainda não mudou na minha mente, mas ultimamente seus conceitos mudaram ou ficam transitando um com o outro regularmente.

No final das contas, tudo é bom. Até mesmo o mau é bom, pois ele existe para nos ajudar a resistir. Afinal, precisamos de resistência para sermos bons. Se formos honestos, veremos que as piores coisas que nos aconteceram, geralmente foram as melhores. Na hora não pareceram ser, mas em breve se tornarão coisas que vão nos fazer aprender e amadurecer e vão nos fortalecer, se já não o fizeram.

Espera aí, isso era pra ser apenas um introdução. Fui longe demais!

Eu sou Allyson, quem me conhece sabe como eu sou. As pessoas me amam ou não gostam de mim. Acho que por eu ser assim, tão intenso, elas entram no jogo comigo e adotam essa atitude '8 ou 80' pra o meu lado. Ótimo! Só confirmam meu poder de influência. Tendo consciência disso, estarei aqui, constantemente, expressando meus pensamentos, meus pontos de vista, fatos do meu dia-a-dia e da sociedade. Esporadicamente, indicarei um livro pra ler, um filme pra assistir, um CD pra escutar.

Ao leitor, enjoy it!